You tem causado inúmeras discussões desde que foi adicionada ao catálogo da Netflix ao fim do ano passado, dia 26 de dezembro. Apesar de ter estreado em julho no canal Lifetime, só agora, popularizado pela plataforma de streaming, virou pauta nas mesas de bares e rodas de amigos.

You conta a história de Joe, que se apaixona por Beck após conhecê-la na livraria em que trabalha. Depois do encontro Joe fica obcecado pela estudante de mestrado e passa a persegui-la. Não só nas redes sociais, mas também na vida real. Joe a observa do lado de fora da janela de casa, em festas com as amigas e até mesmo encontros com a família. Sem Beck imaginar, Joe também tem acesso à todas as suas mensagens nas redes sociais.

Quem já assistiu Pretty Little Liars vai ter a impressão de mais ou menos como se estivesse tendo acesso à visão da -A, a visão de como o stalker age e se esgueira para vigiar a presa. É surreal a forma como Joe consegue controlar e fazer com que Beck esteja sempre ao seu alcance.

Beck está imersa em uma relação tóxica e nem ao menos suspeita. Não só com Joe, mas também com Peach, sua melhor amiga. Em determinada altura da série, o espectador descobre que Peach também é fissurada em Beck, e que possui uma pasta com fotos e vídeos comprometedores da garota. Peach na verdade é apaixonada por ela, e por ter a sexualidade reprimida pela família, vê na relação com a amiga sua válvula de escape.


Joe passa a tentar eliminar Peach, e também qualquer ameaça — considerada por ele — que apareça entre ele e a amada, como o ex-namorado e o psicólogo. Ele não se importa com a dor de Beck, se importa apenas se a estudante vai continuar com ele. E é isso que acontece quando se está em um relacionamento abusivo, ou tóxico. O outro não se importa em como o parceiro vai se sentir ou reagir a partir de determinadas situações. Ele se importa apenas em garantir que tudo continue sob seu controle.

A série deixa muito claro como aquilo não é um relacionamento saudável, e muito menos uma história de amor. É impossível romantizar o relacionamento deles. Joe justifica todas as suas ações e atos obsessivos como forma de proteção à Beck e ao que eles têm, quando todas as vezes não passa de ciúme obsessivo e puro controle.

Os atos de Joe estão para além de psicopatia. Justificar todas as ações dele com a patologia é ignorar os fatores sociais que envolvem suas motivações e retirar a responsabilidade dele. Joe tem consciência do que faz, e dentro da sua psicodelia doente, o machismo ainda se sobrai e impera sobre suas ações.


Em You, Joe deixa claro diversas vezes como tem consciência da vontade de Beck em ser aceita. Beck faz de tudo para se integrar com as amigas ricas, em agradar ao ex que ainda mantêm contato, ou em outras situações que no fundo ela não gostaria de estar envolvida.

Joe percebe o desejo dela de se sentir especial, e a faz se sentir assim. Dá a ela toda a atenção que Beck acredita merecer, envolvendo-a na sua teia de manipulações. A partir daí ele invade sua privacidade, fica entre ela e suas amigas, e muitas outras situações abusivas. Peach, a amiga de Beck, também tenta controlá-la de todas as formas, forjando um suicídio e usando de outros artíficos, como viagens e dinheiro para controlá-la.

Pessoas com baixa autoestima tendem a sofrerem e estarem mais aptas a se envolverem em relacionamentos abusivos. E isso não quer dizer que é culpa delas. O agressor geralmente se aproveita da insegurança do companheiro para tomar o controle sobre ele. You é um retrato deses relacionamentos abusivos e de como eles se proliferam, tomando conta da vida da vítima sem que ela ao menos perceba. E não, como a série deixa bem claro: a culpa nunca é da vítima.
Fevereiro começou e que tal montar a sua lista de livros para ler em 2019 enquanto o carnaval não chega? Pensando nisso, aqui vão cinco livros para você adicionar nas suas metas de leitura (e se apaixonar por eles).


Caixa de pássaros (Josh Malerman)



Quem nesse planeta ainda não ouviu falar de Bird Box, da Netflix? O filme é originado do livro de mesmo nome, e conta a história de uma versão assustadora do nosso mundo, onde criaturas desconhecidas começam a ameaçar a vida e a sanidade da população. O que acontece de fato é que a pessoa que olha para a tal criatura acaba ficando louca e comete suicídio, podendo machucar também quem está por perto.

Malorie é a protagonista, que compartilha conosco sua trajetória para um suposto lugar mais seguro, junto com seus filhos. A narrativa em terceira pessoa nos ajuda a entender os sentimentos de cada personagem e as alterações de passado e presente nos ajuda a entender melhor tudo o que está acontecendo.


Você (Caroline Kepnes)




Você também foi adaptado para série, e virou uma febre. Muita gente ainda está falando bastante sobre a produção e como boa leitora, quis dar uma chance ao livro primeiro.

A trama narra a história de Beck e Joe. Tudo começa quando a aspirante a escritora entra numa livraria de East Village, onde Joe trabalha. Quando ele vê que Beck se interessa por livros diferentes (cults, em outras palavras), ele logo a idealiza como a mulher perfeita, imediatamente imaginando como seria tê-la como sua namorada. É praticamente a história de um stalker e logo após o envolvimento dos dois, o leitor percebe que o relacionamento não é tão saudável assim.


Para todos os garotos que já amei (Jenny Han)



Também adaptado para a Netflix, Para Todos os Garotos que Já Amei traz a história da Lara Jean, a filha do meio de uma família metade americana e metade asiática. Ela e suas irmãs perderam a mãe bem jovens e como a sua irmã mais velha (e que sempre cuidou de todos) está prestes a ir para a faculdade na Escócia, o então cargo de cuidar da irmã e do pai será destinado a Lara Jean.

A protagonista escreve cartas para todos os garotos que ela deixa de amar, como se fosse uma espécie de ponto final para aquele sentimento. A explosão da história se dá quando as cartas que Lara guardava em uma caixa debaixo da cama são entregues misteriosamente aos destinatários.


Estamos bem (Nina Lacour)



De todos os livros da lista, esse é o que tem a capa mais linda! Mas não foi só a capa que chama atenção. Estamos Bem aborda temas importantes — e necessários , como o tão temido sentimento de solidão.

Com o recesso do fim do ano, Marin prefere ficar sozinha em seu dormitório da faculdade (depois que sua colega de quarto vai embora). Com a chegada da sua melhor amiga, Mabel, que decide ficar um tempo com Marin antes de voltar para a sua cidade, a protagonista se vê de frente com o passado, que lhe traz dores e lembranças de como a sua vida era.

Me Chame pelo seu Nome (André Aciman)





A cada verão o pai de Elio traz um convidado escritor para ficar hospedado por seis semanas em sua casa de verão, na costa italiana. Em troca da hospedagem, o convidado ajuda o professor universitário com papeladas e burocracias. No início, Elio e o americano Oliver não se dão muito bem e, claro, dessa implicância surge uma paixão digna de um romance. O livro é conhecido pela sua sensibilidade e a forma poética com que André Aciman o escreveu, o que faz com que os mais românticos se identifiquem e se apaixonem.

E é isso! Essas foram as 5 dicas do Boteco para começar o ano. Alguém aqui já leu algum desses livros? Se sim, deixa a sua opinião (e também outras dicas de resenhas) nos comentários. Agora é só ir até a livraria mais próxima e começar a leitura!

"1+1 A Matemática do Amor" conta a história de Lucas e Bernardo, dois amigos que decidem viver intensamente as últimas férias juntos, o que os leva a despertar sentimentos e emoções nunca experimentadas antes. Lucas e Bernardo cresceram juntos e são vizinhos desde que nasceram, mas tudo muda quando Bernardo recebe a notícia de que ele e sua família vão morar em outro país. Lucas decide que ao invés de passar o tempo que resta se lamentado, a melhor coisa a se fazer é aproveitar cada momento com o melhor amigo. Assim, ele faz um lista de todas as coisas que Bernardo e ele terão de fazer durante as férias até a hora da temida partida.

O livro é narrado por ambos os personagens, alternando a voz em cada capitulo, o que possibilita o leitor conhecer por completo a personalidade dos protagonistas. Lucas é o garoto tímido que gosta de poesia, livros e música; já Bernardo, o típico garoto popular do colégio, que joga no time de futebol, tem amigos com cérebro menor que azeitona e que todas as garotas desejam. Apesar de viverem em mundos opostos, isso não impossibilita que a relação deles exista.



Entre idas ao parque, passeios de bicicleta, mergulhos na piscina e cinema em casa, aos poucos Lucas e Bernardo vão descobrindo que sempre houve um "+" entre eles, e como é difícil as pessoas entenderem os próprios sentimentos quando se trata de alguém tão próximo. Novas descoberta sobre a vida são feitas, como em uma viajem com Sarah, tia de Lucas que os leva para passar um tempo com ela em seu sítio. A partir dessa viagem os garotos percebem as várias formas de amor que existem, algo que eles não veem com frequência por morarem em uma cidade do interior, onde algo diferente pode vir a se tornar alvo de fofocas.

Tendo como ponto principal a amizade de Lucas e Bernardo, o livro aborda temas como homofobia, aceitação da família e até mesmo autoaceitação, tudo de forma delicada. Apesar de vários momentos e situações clichês, a narrativa prende a atenção logo no começo, lhe induzindo a ficar na expectativa de até onde vai o romance dos protagonistas e o que o final lhes reserva. A descoberta do amor dos protagonistas é desenvolvido de forma natural e despretensiosa, até que quando você percebe os dois já estão envolvidos. É um livro para se apaixonar... pelos protagonistas e pela vida também.

This Is Us é uma série americana de drama, e narra a história da família Pearson. Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca Pearson (Mandy Moore) esperam trigêmios, mas apenas Kevin (Justin Hartley) e Kate (Chrissy Metz) nascem saudáveis, enquanto o terceiro bebê morre durante o parto. Na mesma noite o pequeno Randall (Sterling K Brown) é deixado na porta do Corpo de Bombeiros e entregue no hospital, e assim Jack e Rebecca veem uma nova oportunidade de sair da maternidade com três filhos.

Se só a sinopse não foi o suficiente para te fazer querer mergulhar no drama familiar dos Pearson, aí vão 5 motivos que vão te fazer querer conhecer — e amar — a série.

Limão em limonada

Os personagens pegam o limão mais azedo que a vida lhes oferece e transformam em uma limonada. Essa é uma das primeiras de uma sucessão de lições que podemos adquirir assistindo a série. Conhecida pelo drama acentuado, a trama pode nos fazer chorar e principalmente criar empatia com os problemas dos personagens.

Passado, presente e futuro

Uma característica marcante do seriado é a alternância entre passado, presente e futuro nos episódios, o que requer mais atenção para compreender a história na íntegra. O formato permite uma imersão na história individual do personagem, possibilitando a percepção de suas razões e dilemas.

Drama familiar

No desenrolar da trama podemos perceber que algumas atitudes, principalmente de Jack e Rebecca, refletem na personalidade dos filhos, criando impasses entre o casal. A forma como é mostrada os dramas reais de diversos tipos de relacionamentos é visto por ópticas diferentes, o que deixa a história bem próximo da realidade das famílias.



Um outro olhar

A série mostra de diversas maneiras que nem tudo que conseguimos ver é a totalidade da situação, que as pessoas têm formas singulares de sentir, se prender e se libertar dos traumas. Isso reflete no desenvolver dos capítulos, onde fica notório as descobertas e crescimentos pessoais dos personagens. E disso tudo, uma coisa é fato: você vai se envolver a ponto de se encontrar e crescer junto com eles.

Temas importantes

Além de desmistificar alguns padrões de relacionamentos familiares a série expõe assuntos como vícios, autoaceitação, sexualidade, gordofobia, crises de identidade, racismo, perdas, ansiedade e adoção.

E também, é claro, amor, muito amor. Amor dos pais, dos filhos, entre casais, entre irmãos e especialmente das decisões que as pessoas tomam em nome dele, que nem sempre são as mais fáceis e indolores.


É fato que todo mundo passa por momentos difíceis na adolescência. E é a partir dessa problemática que Sex Education, série original da Netflix, entra no catálogo com uma boa dose de humor e um toque extra de clichês repaginados. Abordando temas hiper comentados (ou nem tanto), a série traz uma forma nova de representar os problemas adolescentes e uma solução para cada um deles.

Otis Milburn é o protagonista da série. Interpretado por Asa Butterfield, o jovem magricela é o exemplo perfeito de “esquisitão”. Virgem, introvertido e só tem um único amigo. Para piorar, sua mãe, Jean, é uma famosa terapeuta sexual e uma grande responsável pela quase fobia que o jovem tem quando se trata de sexo.

Para um jovem que se sente oprimido por estar cercado de sexo o tempo todo, Otis surpreende como um ótimo ouvinte e solucionador de problemas sexuais alheios. Junto com Maeve, a descolada que finge não ser inteligente, eles montam “A clínica”. Uma espécie de escritório em qualquer lugar vago onde se possa conversar. A divisão dos lucros é meio a meio e os clientes, por mais incrível que pareça, aparecem.


E a partir disso surgem outras histórias importantíssimas de serem contadas. Como a busca incessante de Eric, melhor amigo de Otis e gay assumido, de ser notado pelos demais alunos e de se descobrir. A série também aborda as diversas formas de família, algumas buscando uma perfeição inexistente, outras buscando qualquer coisa.

Temas como aborto, masturbação, vaginismo, homofobia e compartilhamento de fotos íntimas servem como condutores da história. Além de serem uma importante informação para quem assiste. Temáticas como álcool, drogas e sexo sem prevenção, também estão no roteiro, mas de uma forma que não torna a série só “mais uma história de adolescentes problemáticos” ou mais uma repetição de estereótipos.  

Ah, e tem romance, claro! Romance, descobertas, crescimento pessoal, quebra de preconceitos e paradigmas e muito, mas muito sexo! Tudo isso faz da série uma experiência válida e perfeita. Durante os oito episódios, os personagens vão amadurecendo e é fácil se identificar com o que alguns estão vivendo. Uma coisa é clara: se você não passou por algumas das situações apresentadas em Sex Education, não se preocupe, sua hora vai chegar!