16 dias se passaram desde a entrada dos 20 participantes na casa do BBB e uma vida aconteceu de lá pra cá: a rivalidade entre Ana Paula e Mahmoud nasceu, Breno formou um triângulo amoroso com Ana Clara e Jaqueline, a aliança do Clube dos Cuecas com o "Trio da Mandinga" (como a edição bem chamou) surgiu, o Clube dos 7 Votos se formou e a confusão da promessa do anjo dividiu opiniões. Essa cama de gato montou um cenário cheio de meandros e que confunde a cabeça do telespectador.

Antagonistas um do outro e vítimas de si mesmos, os participantes têm se mostrado cheios de defeitos e nuances. Ninguém ali é santo ou pretende ser, tirando o Noivo de Taubaté, claro. E tudo isso tem confundido a cabeça do público. Duas semanas se passaram e as opiniões sobre os participantes mudaram como uma montanha russa que sobe e desce numa velocidade avassaladora.

Prova disso é que há uma semana essa coluna defendia a permanência de Ana Paula na casa. Muita coisa aconteceu e ela agora perde a preferência do público, mesmo depois de ter superado o hate que levou da internet nos primeiros dias pelo fato de ter a voz irritante e de ter se tornado uma das favoritas ao longo da primeira semana após rivalizar com Mahmoud. Agora a única coisa que faz é fofocar e falar mal dos outros pelos cantos, não concretizando a vingança que o público tanto esperava. Foi de odiada para amada e odiada novamente.


Ao contrário dela a família Lima que começou sendo detestada agora tem Ana Clara como uma das protagonistas da edição. Mesmo com a âncora que é o pai, Ana Clara consegue se destacar entre os 16 participantes que ainda restam. Protagonizou a primeira briga da edição e um triângulo amoroso com Breno e Jaqueline. Já a biomédica não teve muita sorte.

Jaqueline era uma das favoritas, mas se perdeu ao usar Breno para afetar Ana Clara e principalmente ao mentir sobre não ter prometido o anjo à Mahmoud. Ele, odiado na primeira semana por todo o drama que criou com Ana Paula, agora recebeu a compaixão do público após o barraco ensaiado de Jaqueline para humilhá-lo e permanecer na casa. O fato é que Jaqueline estava desesperada, tentando de casais até brigas sem sentido para garantir votos da audiência. A raiva por Mahmoud foi esquecida, ou ao menos guardada por um tempo pelo senso de justiça do público que falou mais alto. Muito provavelmente agora vamos mudar de opinião mais uma vez e odiá-lo novamente.


Parte dessa imprevisibilidade é fruto das promessas não cumpridas, promessas criadas pela expectativas de nós telespectadores e também por eles lá dentro. A promessa de Ana Paula (ou pelo menos a expectativa do público) para que se vingasse de Mahmoud e o confrontasse não aconteceu. Por outro lado ela nos apresentou uma Ana Paula que desde o início movimenta o jogo por trás dos panos e que consegue moldá-lo do jeito que quer, desde criando o Clube Dos 7 Votos para se manter ali dentro até plantar a discórdia na cabeça da Jaqueline para que discutisse com o rival.

Entretanto, essa não foi a maior promessa não cumprida. A maior delas foi Mara, que não ganhou o tempo necessário para concretizá-la. Com um pavio curto e um potencial gigantesco para o barraco, Mara foi podada para que o enredo de Ana Paula pudesse se desenvolver. Não desenvolveu. Mahmoud, que sempre berra aos quatro ventos ser "esquentadinho" (nas próprias palavras), e Ana Paula, a bruxinha que encabeça o Clube dos 7 Votos, nem trocam olhares ou ao menos uma fala, quem dirá um barraco. Aposto que o público está tão arrependido quanto eu por ter deixado ela lá.


Assim como Ana Paula, Mahmoud não só prometia ser esquentadinho como prometeu que iria se vingar de todos os 7 votos que levou. Na primeira oportunidade que teve para mostrar o potencial, acuou e não respondeu os algozes a altura. Ouviu de Jaqueline com a voz baixa, apenas afirmando repetidamente que ela havia sim lhe prometido o anjo. Esperteza ou sorte? O público comprou o papel de excluído que lhe coube não por ter se acuado, mas por saber que Jaqueline estava mentindo. É... acho que foi sorte, Mahmoud.

Mas de tudo o que temos visto até agora, a promessa não cumprida de Breno e Clara é até boa. A promessa de serem um casal não foi feita nem por eles nem pela gente, mas por todo um histórico de 17 edições que já nos deixa subentendido que por terem se beijado formariam um casal. Mas não. E confesso que é muito mais gostoso assistir a esse jogo de gato e rato deles com o adendo do empecilho de ter o pai de Ana Clara dentro do mesmo reality. Até agora esse "não-namoro" já nos rendeu um triângulo amoroso e um surto pós-festa com DR de incansáveis duas horas.


Enquanto nos perguntamos como vai acabar essa história mal resolvida de Ana Clara e Breno, outra promessa não se cumpre: a de Paula. A dela, que desde a sua chamada anunciava: "eu sou o caos". Embora arraste uma emergente torcida, tudo que ela tem feito até agora é tentar manter a pose de sensata e pedir biscoito para as amigas. Deu o anjo para Jéssica na tentativa de ser aceita por ela e Jaqueline e assim conquistar a confiança das loiras. Tomou partido no triângulo amoroso e criticou a aproximação de Ana Clara com Breno durante uma festa para que pudesse se sentir bem com Jaqueline, o que impulsionou o surto de Ana Clara. Além disso, mudou a opinião sobre o Lucas ter levado o Mahmoud para o cinema do líder quando viu que Jéssica tinha outra opinião.

No meio de tudo isso temos também eles, Lucas e Jéssica. A frase "não fode nem sai de cima" nunca fez tanto sentido. A promessa não cumprida deles é essa. Tendo medo de se queimarem aqui fora por ambos serem comprometidos, eles se queimam muito mais deixando claro que só não se beijam por temerem a imagem que vão gerar. Assim se queimam duas vezes: ao provarem que poderiam chegar a ser infiéis e ao provar que estão agindo não sendo verdadeiros consigo, mas pensando nas câmeras.


Por fim, de todas as promessas não cumpridas, a de Jaqueline foi a que custou mais caro lá dentro. Custou sua permanência na casa. O público pode perdoar erros e até faltas menores, mas uma coisa que não perdoa é a injustiça. O telespectador é o juiz desse jogo e se dentro da casa tivessem alguma dúvida, agora não mais. Sabendo disso, a pergunta é: será que as promessas vão continuar sendo descumpridas? O que sabemos até aqui é que o elenco é imprevisível. Essa imprevisibilidade da edição é uma promessa que não foi feita e que mesmo assim se cumpre a cada dia que passa. O final da história a gente ainda não sabe, mas Lucas traindo a noiva ou não e Mahmoud e Ana Paula concretizando ou não a rivalidade, uma coisa é certa e uma promessa nunca é descumprida: Tiago Leifert não decepciona ao tombar os participantes em segundas eliminações. Mayara, foi a Roberta e você prometeu sim, Jaqueline! Senta aqui, Tiago, a gente te ama.

A 2ª temporada de Stranger Things causou um grande hype ao ser lançada em outubro do ano passado, e mais uma vez não decepcionou. O enredo da nova temporada gira em torno do Will e novamente ele é a grande força motriz da história. Ao sair do Mundo Invertido ele ainda carrega vestígios da tragédia e acaba sendo possuído pelo Monstro das Sombras, o que faz com que Joyce se veja outra vez tentando salvar o filho.

A temporada começa a partir dos acontecimentos da última e mostra o que aconteceu com Eleven depois de entrar no Mundo Invertido. O público descobre que na verdade ela está com Hopper, o xerife da cidade, e esse é um dos pontos altos: a relação que se forma entre os dois. Fica visível todo o carinho que Hopper sente, é algo bem pai e filha mesmo, como se ele estivesse projetando a filha que morreu.

Talvez por medo de que algo aconteça como aconteceu com a filha, Hopper não permite que Eleven saia de casa e isso faz com que ela acabe se sentindo presa como se sentia no laboratório. É quando ela toma sua decisão e sai em uma jornada de autodescoberta, o que faz com que diferente da temporada passada, ela tenha destaque sozinha e não ao lado dos garotos, passando a temporada inteira afastada dos meninos e dos demais personagens. É mais uma coisa dela se encontrar, de encontrar a mãe e até mesmo de encontrar a própria história. Parte dessa história é introduzida quando somos apresentados à Eight, outra garota que foi vítima dos experimentos do laboratório.


Eight faz parte de um grupo de punks que usam os poderes dela para se darem bem, e a série nos apresenta à Kali (seu verdadeiro nome) em um único episódio todo voltado a isso, o que funciona bem mesmo destoando do resto do clima de série. O episódio serve para aprofundar a mitologia do Universo Stranger Things e também para que Eleven aprenda a controlar melhor os seus poderes, o que mais tarde lhe serve para fechar a fenda do Mundo Invertido ao fim da temporada. Então temos essa jornada de reencontro, que ao mesmo tempo que afasta Eleven dos garotos, aprofunda a sua história e nos permite conhecer mais da mitologia da série.


Além da relação de Eleven e Hopper, essa temporada também trouxe outro vínculo inesperado: Steve e Dustin. Steve deixou de ser aquele bad boy malvado e ganhou outra versão de si mesmo na série ao ser a "babá" das crianças e entrar na aventura delas. Ao passo que ele tem esse Carachter Development, ele perde aquele tempero de antagonista que tinha, o que faz com que sejamos apresentados a outro: Billie Hargrove. Segundo os próprios autores, eles acharam necessário um antagonismo humano além do Monstro da Sombras, que é o antagonista sobrenatural.


O Billie realmente dá medo em muitas das cenas, principalmente pela forma como trata a Max. Max é a sua meia-irmã e é outra personagem apresentada na nova temporada. Diferente do Billie, a Max é na verdade bem descartável. Ela entra para o grupo dos meninos e ela estando ali ou não a história fluiria da mesma forma. É uma personagem simpática e tem um romance bonitinho com o Lucas, mas não faz diferença alguma para o andamento da série. Não sabemos se na próxima temporada  ela vá ter realmente alguma utilidade para a trama, mas enquanto isso ficou parecendo que ela estava ali apenas para que pudesse ser dito que tinha algum personagem novo.

Além do Billie e da Max, outro novo personagem é o Bob, que diferente deles não teve um final tão agradável assim. Bob é o namorado abobalhado da Joyce, e de início parece assim como a Maxine não ter nenhuma função ali além de existir, mas nos últimos episódios, quando já estamos totalmente apegados a ele, somos surpreendidos pelo sacrifício que faz ao ser devorado por um Demogorgon e salvar os demais personagens. Contrariando a primeira impressão, a gente acaba se envolvendo e incrivelmente gostando dele.


Enquanto o Will é possuído pelo monstro que cada vez mais toma o corpo dele e enquanto a Eleven tenta se encontrar, a gente tem outro grande plot principal: o Demogorgon de estimação do Dustin. Ele é encontrado numa lata de lixo e muito provavelmente é a "lesma" que o Will cospe ao fim da primeira temporada. O Demogorgon começa como um bichinho pequeno e acaba crescendo muito rapidamente até se transformar num monstro. A relação do Dustin com o bicho é muito fofa e realmente lembra os filmes dos anos 80 de "dono e criatura", em que o dono tem uma relação de afeto com o monstrinho.

Como em Stranger Things nada é por acaso, esses três plots distintos vão convergindo até chegar ao ponto da temporada em que eles se encontram. Isso é algo bastante interessante na série: são colocado diferentes pontos de partida que de início não vemos como convergirem, até que todos os personagens chegam na mesma situação em determinado momento da temporada. É interessante ver que essas histórias vão se encaixando e que não estão ali por acaso. Isso é o que fez com que tanto a primeira como a segunda temporada tivessem o mesmo nível de qualidade no enredo.


E por fim tivemos o baile de inverno, com um orçamento bem gasto naquela trilha sonora maravilhosa e um final bem amarradinho. É legal a forma como terminam sem pontas soltas, apenas com uma leve interrogação (que não depende necessariamente de ser respondida) para a próxima temporada. Funciona como uma obra independente e caso a temporada seguinte não agrade, podemos fingir que ela não aconteceu e considerar o final da última como sendo o verdadeiro.

A palavra para essa temporada é crescimento: do Steve que definitivamente não é mais o mesmo, do Will que com certeza sai mais calejado depois de duas temporadas sendo alvo do Mundo Invertido, e da Eleven que aprendeu a controlar os poderes. O fato é que quando todos estão presos dentro de casa com uma horda de Demogorgons do lado de fora, Eleven finalmente retorna e salva o dia. Ela não precisa mais ser salva ou aprender como funciona o mundo em que vivemos. Ela é quem fecha o portal do Upside Down e é ela quem salva o dia. Eleven reencontrou a mãe, a irmã de laboratório, os poderes e a si mesma. Definitivamente não é mais a mesma e está pronta para o que quer que o Mundo Invertido reserva.


O BBB 18 estreou dia 22 de janeiro, há exatamente uma semana, e esses 7 dias foram o suficiente para a internet ir a loucura. O fato é que apesar do pouco tempo de programa, já sabemos que muito provavelmente o Kaysar é quem vai ganhar a edição. Até lá, a intenção é manter figuras potencialmente barraqueiras e que são promissoras para um bom entretenimento.

Mesmo após 18 edições o BBB continua sendo um fenômeno e é um grande produto da cultura pop, levantando debates e torcidas fervorosas a cada temporada. O programa resiste ao tempo e se reinventa constantemente nas 18 edições existentes, e ter se adaptado ao passar dos anos é o mérito que o faz ser tão amado na internet. Contrário a isso, experiências ruins com edições e participantes passados fazem o público ficar com um pé atrás e comparar qualquer novo aspirante a BBB com jogadores já vistos antes.

Foi o que aconteceu com Ana Clara e Ana Paula. Primeiro Ana Clara, que ao ser apresentada com a família antes dos demais participantes já causou raiva no público por quebrar a expectativa de uma estreia que colocasse na casa os 16 concorrentes já anunciados. Juntando esse ódio ao fato dela ter 20 anos, a mesma da Emily (vencedora da edição passada), e de ter uma personalidade típica à idade, logo os internautas encontraram tweets comprometedores (que não deveriam ser levados tão em consideração, já que são de vários anos atrás) e passaram a chamá-la de "nova Emily" ou "Emily 2.0". O fato é que as pessoas ainda não se recuperaram dos traumas da última edição e já colocam o instinto de defesa para fora, tentando prevenir que qualquer semelhança com a pífia edição passada aconteça novamente.


Ana Clara bebeu, protagonizou o primeiro beijo da edição (sendo acusada de roubar o boy alheio), foi flagrada e brigou até mesmo com o primo e os próprios pais. Ufa! Felizmente não foi eliminada no paredão com a família e seguimos para o paredão de terça-feira que foi formado: Ana Paula (a bruxinha) contra Mara. Ana Paula foi perseguida a semana inteira pelo líder, que nem esperou Tiago Leifert terminar de falar para indicá-la, e pela casa, que constantemente fazia questão de ressaltar o quão chata é sua voz e de eliminá-la nas provas. Juntando essa perseguição ao fato de também ter pouca idade, apenas 23, logo foi o suficiente para os internautas a acusarem, equivocadamente, de coitadismo (como se ela tivesse pedido para ser perseguida) e de ser outra nova Emily.

Contrariando todo mundo que não gosta dela, Ana Paula dançou como se ninguém estivesse olhando, deu selinho nas amigas, esteve no centro das discussões da casa (inclusive de um desentendimento com Mahmoude, que usa a pauta LGBT e se intitula o novo Serginho para tentar conseguir público) e jogou calculadamente, arquitetando tudo para conseguir influenciar os demais participantes a formar o paredão que queria contra Mara (que durante essa uma semana de jogo falou mal dela pelas costas e fez de tudo para queimá-la para os outros jogadores). Fez uma jogada de mestre: conseguiu que a casa indicasse Jéssica com 7 votos, sabendo que Paula com o poder do veto tiraria a amiga da berlinda, assim fazendo o paredão duplo que queria com Mara (indicada também pelo líder) e provando que não foge da raia.


Além de uma ótima estrategista como se mostrou mexendo as peças para montar o paredão desejado, Ana Paula é também fonte de entretenimento. Irrita apenas pelo jeito e pela voz, e causa controvérsias com seus discursos, que são problematizados por outros participantes. Apesar de defender a pauta feminista, ela pode sim vir a ter um discurso em que não se pensa muito antes de falar, como fez ao insinuar que todo negro tem o pênis grande e ser problematizada por Gleici. Ao perceber que está errada, ela pede desculpas e se desconstrói, como fez ao ir conversar com Mahmoude. Mas se estiver certa, ela defende o que acredita. E tudo isso pode gerar muitas discussões interessantes lá dentro.


Visto tudo isso, o que faria alguém ser a nova Emily deveria ser o fato de não ouvir o que os outros tem a dizer ou o fato de ser mal educada e destratar as pessoas, como acusavam a Emily de fazer no BBB passado. Ser novinha não é motivo pra ficar com um pé atrás e não dar chance à pessoa. Não podemos esquecer que antes da Emily tivemos a Munik, que era maravilhosa e até mais nova, com apenas 19 anos quando ganhou o programa.

O fato é que toda uma trama já foi arquitetada nessa uma semana e desde o início da divulgação dos participantes ela já estava traçada: é movida pelas pautas dos movimentos sociais. Se de um lado tem quem verdadeiramente defenda, do outro tem quem se apodere disso para tentar angariar torcida e erroneamente achar que está convencendo. Só esquecem que a gente vê tudo aqui fora: desde o Lucas querendo trair a noiva até o discurso ensaiado para convencer quem apoie alguma bandeira.

Lançada primeiramente no Reino Unido dia 27 de Outubro de 2017, The End Of The F***ing World ficou bastante famosa após entrar para o catálogo da Netflix no dia 5 de janeiro desse ano. A série conta a história de dois adolescentes: James, que acredita ser um psicopata, e Alyssa, uma jovem problemática e rebelde. Após decidirem fugir juntos até a casa do pai de Alyssa, eles acabam vivendo uma grande aventura durante o caminho, e James começa a questionar seus sentimentos, o que o faz repensar se realmente é um psicopata.

A série inteira funciona mais ou menos como uma roadtrip: dois jovens em viagem vivendo aventuras enquanto ainda estão na estrada. Muita coisa acontece até chegarem no destino final, e a viagem faz com que eles descubram mais de si mesmos, inclusive sentimentos que acreditavam não existir antes.

Todo o conjunto de acontecimentos durante a aventura é o que permite Alyssa e James, que até então mal se conheciam, se aproximarem e despertarem esse sentimento um pelo outro: eles batem o carro numa árvore, mudam totalmente o visual, roubam um posto de gasolina, invadem uma casa e matam o dono dela. Até aí eles não tinham nenhuma perspectiva a não ser chegar até a casa do pai de Alyssa. A partir dali, os dois jovens desventurados encontram uma motivação: se livrar do crime e eventualmente cometer mais crimes, mostrando um certo gosto pelo perigo.


É quando surgem as detetives Eunice e Teri, que passam a tentar localizar os dois jovens desaparecidos. A relação das duas tem vida própria e também um enredo além do plot do assassinato, o que faz com que sejam bem desenvolvidas e um dos pontos altos da série. Elas funcionam basicamente como o clichê do "policial bom e policial mau". A forma como Eunice enxerga as motivações de James e Alyssa é como o público também enxerga, e ela assume como um porta voz nosso ali, o que acaba gerando tanta empatia.

Os crimes cometidos pelo casal disfuncional de início causam uma aversão por serem tratados com tanta banalidade, mas com o passar dos episódios você acaba criando empatia pelos personagens, o que faz com que incrivelmente os crimes acabem sendo ignorados e não se tornem um empecilho para gostarmos e torcermos por eles. É um mérito da ficção: conseguir retirar a moral por um momento para nos fazer simpatizar com os heróis (ou anti-heróis). O certo e o errado é ignorado não só pelos protagonistas como também por quem assiste. O fato de cometerem crimes ou de terem matado alguém parece não importar tanto, e acabamos por torcer para que cheguem ao seu destino final e inclusive para que consigam escapar das duas detetives.


The End Of The F***ing World tem aquele tipo de humor meio macabro que só as séries britânicas conseguem ter. É boa para quem gosta desse tipo de humor mais dark, e também para sair um pouco do eixo americano. São só 8 episódios de mais ou menos 20 minutos, o que não torna a série cansativa e permite você assistir tudo em pouco mais de duas horas. O formato escolhido para contar a história se assemelha muito ao de um filme, e essa duração da série ajuda ainda mais a dar a sensação de que os 8 episódios são pedaços de um longa obra cinematográfica.


A série, no fim das contas, é sobre dois adolescentes querendo se encontrar, e oportunamente, nessa busca pelo eu de cada um, eles têm um ao outro. A série explora os dramas pessoais de cada, e fica bem claro que o romance tem sua função ali: com James serve para que se perceba como não sendo um psicopata, e para Alyssa serve para que ela tenha alguém que realmente se importe com ela, já que nem o pai ou a mãe estão verdadeiramente preocupados. James e Alyssa funcionam a maior parte da série mais como dois melhores amigos do que como um casal em si. O que nos lembra que The End Of The Fucking World não é sobre amor... ou não só sobre ele.

A 4ª temporada de Grace and Frankie estreia dia 19 na Netflix e vem cheia de novidade, incluindo Lisa Kudrow, eterna Phoebe de Friends, no elenco. Nada mais justo do que o site recapitular tudo o que aconteceu na última temporada e teorizar sobre o que nos aguarda. Concordem ou não, o fato é que a 3ª temporada foi a melhor até aqui. Ela marcou o crescimento dos personagens de diversas maneiras.

Cada personagem, incluindo os filhos da Grace e da Frankie, possuem histórias particulares e que foram exploradas mais do que em outras temporadas: Coyote e o problema com o alcoolismo, Brianna e a autossuficiência, Mallory e os problemas com o casamento e a vida de mãe. Isso tudo foi essencial para criar um vínculo maior com o restante da história, principalmente a Mallory, que desde o início da série sempre pareceu afastada e desconexa dos demais personagens. O aprofundamento dado para os seus dramas com filhos e com o marido foi essencial para humanizar a personagem e incluí-la verdadeiramente na vida dos outros personagens.


Diferente da Mallory, de todos os filhos, a Brianna sempre foi a que esteve mais presente na vida de Grace, Frankie, Robert e Sol. Brianna é obviamente a que mais brilha ali dos quatro filhos, e dessa vez não foi diferente, mesmo dividindo o brilho com a irmã. A independência e autossuficiência dela é algo que inspira e que funciona muito bem na série. Ela se basta e é feliz estando apenas consigo e o emprego, e é o que se deve boa parte de todo esse brilho dela.

Além dos problemas dos filhos, a série aprofundou também as questões dos pais. É incrível a forma como sempre conseguem ir mais a fundo em um dos plots precursores da série: a traição de Robert e Sol e o fato de terem se escondido por tantos anos. O passado e a aceitação da homossexualidade é um processo constante para eles, que estão frequentemente descobrindo o que implica socialmente ser um casal gay e que dia após dia estão aprendendo qual tipo de casal querem ser. Dessa vez Robert decidiu contar para a mãe, e mesmo ela não tendo aceitado muito bem e morrendo pouco tempo depois de dizer algumas coisas não tão agradáveis, aquilo foi necessário para que ele ficasse em paz consigo.


Toda essa atenção para as "tramas base" dos personagens nos faz lembrar sobre o que a série é e o que a move, e faz com que ela não desvie do que propôs desde o começo. O que mais agrega numa série é quando os plots dados aos personagens seguem com a história que foi proposta a eles desde o início. E isso não significa ser repetitivo ou não andar com o enredo, mas desenvolver o personagem dentro das características psicológicas dele e tendo coerência com o que foi apresentado. É o que a temporada fez, principalmente com o Coyote, que até conheceu uma garota no grupo de Alcoólicos Anônimos, o que lembra o público de uma parte importante que compõe o personagem. Ou como foi feito com Brianna, que até com um garoto de programa se relacionou, o que foi aproveitado para trazer mais uma vez a questão da sua autossuficiência dentro disso. Ou como foi feito principalmente com a Mallory, que finalmente teve suas vulnerabilidades exploradas e relações aprofundadas, o que a engrandeceu de uma forma incrível e a tornou mais presente na série. E também Bud, que agora tem uma namorada e gerencia a empresa do pai. De todos ele é o que tem a vida mais estável em diversos aspectos, tanto profissional como pessoal.

Já Grace e Frankie, diferente de Bud, possuem uma vida nada estável, tanto afetuosamente como profissionalmente. E não tem nada de errado nisso, mesmo aos 70 anos, crescer continua sendo um processo contínuo. Nessa temporada elas lutaram para emplacar o negócio de vibradores para terceira idade, e é muito legal ver que mesmo com 70 anos elas ainda possuem objetivos e veem um horizonte. Fica bem claro: a idade não as para, e nem deveria. Isso é o que move a série desde o início, e elas terem a perspectiva de um negócio só reforça essa premissa e a fome de vida delas. Isso inspira quem assiste também. Mesmo quem não é mais velho acaba se sentindo inspirado, porque o sentimento de desesperança por muitas vezes é algo bem comum a todos.


Em meio a toda a loucura das suas vidas conturbadas, Grace e Frankie ainda têm que achar tempo para promover a tal ideia do vibrador. Uma das melhores situações envolvendo isso é quando elas vão apresentar o produto para um grupo de senhoras e só depois elas descobrem que na verdade são um grupo de religiosas. No fim todas acabam aceitando a ideia e isso é bem bacana. A série mais uma vez não glamouriza ou cria uma ilusão do que é a velhice, pelo contrário, ela nos lembra das dores físicas, da dor na coluna e que sim, tomaremos alguns remédio quando chegarmos lá, o que não quer dizer que a série trate Grace e Frankie como inválidas ou que tudo isso as impeça de fazer qualquer coisa.

Parece que a cada temporada que passa Grace e Frankie rejuvenescem mais dez anos. Elas não possuem limites e cada vez mais vivem experiências ainda mais intensas, seja fazendo um strip em uma boate como foi na primeira temporada, fazendo a própria exposição de quadros como fez Frankie, ou lançando uma empresa aos 70 anos.

Se antes Grace e Frankie já eram incríveis em cena uma com a outra, agora elas tiveram definitivamente a melhor química até aqui. A temporada conseguiu aprofundar ainda mais a amizade das duas, seja através da empreitada dos vibradores ou levantando questões importantes, como o porte de armas. A forma como uma cede à outra apenas para continuar tendo o que elas têm ali juntas é lindo, e é o que a série mostra quando em vários momentos elas cedem para continuar levando a empresa de vibradores a frente ou quando Grace desiste de ter uma arma em casa. E isso é sobre o que a amizade deveria ser, não é?


Outro ponto importante foi que Brianna mais uma vez teve sua relação com Frankie aprofundada, e até emprestou dinheiro para ela levar o projeto dos vibradores a frente, mesmo que pedindo para que sua mãe não soubesse. É claro que isso não deu certo e Grace acabou descobrindo. É lindo ver uma mulher tão forte como Brianna na série, que dá suporte e tem sempre tudo sob controle, seja emocional, profissional ou financeiro.

Espero ver mais uma vez essa relação Brianna e Frankie na nova temporada, e espero também ver como Robert e Sol vão conduzir a relação deles de uma forma mais "aberta", como mostrou no trailer. A 4ª temporada já tá bem aí e torço para que a Mallory se encontre como além de mãe, e que aprofundem a relação dela com o Coyote, que até agora só ficou subentendida. Torço também para que a personagem da Lisa Kudrow seja importante e que continuem aprofundando as histórias pessoais de cada um, principalmente o Coyote com o AA. Não sabemos se isso tudo ou pelo menos uma dessas coisas vai acontecer, mas algo é certo: Grace e Frankie vão continuar ficando cada vez mais jovens.