O Boteco agora tem canal no Youtube, gente! ISSO É TÃO BLACK MIRROR! Quer frase melhor que essa para definir esse momento? Falando nisso, quem aí já assistiu a 5ª temporada? Aproveitando a estreia, o canal decidiu listar os 5 melhores episódios da série para você maratonar. Bóra?


E sim, nós temos um boteco para gravar para o Boteco. haha Caso você goste de comida boa e bebida barata, você pode visitar o nosso parceiro Garagem 167 aqui em Fortaleza. O barzinho, que na verdade é também hamburgueria, fica na Rua Padre Francisco Pinto 144, no Benfica.

Com o lançamento de Homecoming, documentário sobre os bastidores da apresentação de Beyoncé no Coachella Valley Music and Arts Festival, o público pôde conhecer a intimidade da cantora, que falou de temas como gestação, familia e representatividade. Assim como Beyoncé, outras artistas também produziram documentários bastante pessoais e sensíveis sobre a carreira e a vida. Pensando nisso, o Boteco decidiu listar 5 documentários sobre cantoras pop.

Gaga: Five Foot Two


Lançado em 22 de setembro pela Netflix, o filme permite conhecer Lady Gaga em todas as suas formas e vertentes: através da música, da família, da doença e do que ela pensa sobre tudo o que dizem dela, desde Madonna até o famigerado "Gaga, volta pro pop". Acompanhando a produção do álbum Joanne durante um ano, o filme é um tapa na cara das críticas à fase cult bacaninha da cantora.

Gaga: Five Foot Two deixa claro, pela narração dos acontecimentos e também pelos depoimentos da cantora, que cantar o tipo de música que canta com Joanne representa um amadurecimento enorme. Gaga da Era The Fame/The Fame Monster foi bom, mas passou. Mesmo que ela voltasse a ser daquele jeito, as coisas jamais seriam iguais, porque aí não seria o que ela quer fazer nesse momento. Não haveria verdade.

O que a fez se tornar um fenômeno quando surgiu foi a forma autêntica que se vendeu, e autenticidade é isso: respeitar as suas vontades. As pessoas percebem quando não vem de dentro. Tudo bem que ela era excêntrica não tanto porque queria, mas porque queriam empurrar uma sensualidade nela como fazem com todas nessa indústria e por isso ela escolheu ser daquele jeito, desviando o foco da sensualidade. E isso não quer dizer que não fosse verdadeiro. Dentre as opções que ela tinha quando se lançou, a mais verdadeira pra ela era aquela, mas, agora que ela tá estabilizada, por que não ser a artista que ela quer ser? E como ela mesma disse, do que adianta fazer tudo isso e depois voltar a ser quem ela era antes?

Katy Perry: Part Of Me



O documentário de 2012, Katy Perry: Part Of Me, consegue transmitir a essência da cantora em seus mínimos detalhes, transportando para tela - e para nós - toda a originalidade das músicas, dos clipes, figurinos e até mesmo da trajetória dela. É lindo ver todo o apoio dos pais que mesmo sendo cristãos, incentivam e amam o trabalho da filha.

O filme ainda inclui vídeos que Katy quando começou a morar sozinha. É possível conhecê-la mais profundamente, desde os vídeos e fotos da infância e de quando começou a morar só, até os detalhes dos bastidores da turnê, que incluem até mesmo a intimidade dela com o ex-marido.

Demi Lovato: Simply Complicated


Lançado no Youtube, Demi Lovato: Simply Complicated é sincero e impacta bastante. Demi expôs problemas com cocaína, depressão, bullying e bulimia, e inclusive assume ter recaídas com a última até hoje. O que mais choca é a exposição do problema com a cocaína, que até então não havia sido explanado pela cantora de forma tão a fundo. Saber que ela era viciada tão nova e isso tudo enquanto gravava Sunny Entre Estrelas é cruel. Enquanto fingia ser a princesinha que a Disney queria, por trás escondia problemas que nem de longe diriam ser de um princesa.

Miley: The Movement



A decisão de deixar a Hann Montana para trás e tudo o que isso envolve. Essa é a premisa de Miley: The Movement. Alvo de muitas críticas na Era Bangerz, Miley apresenta no documentário seu ponto de vista sobre a mudança de visual e de atitude, que a distancia de tudo o que o público já conheceu até ali. A princesa da Disney morreu e a crítica parece não aceitar muito bem isso. Mas embora os contos de fada não mostrem, as princesas também crescem.

Vai Anitta


O documentário apresenta a vida de Anitta, a relação com o noivo e a construção do projeto Check Matte, onde lançou um clipe a cada mês. Podemos conhecer mais do desenvolvimento da carreira internacional, as parcerias e até mesmo o casamento secreto com o ex-marido Thiago Magalhães. A família de Anitta está bem presente, principalmente nos depoimentos que intercalam as cenas da série de 5 episódios.

The Handmaid's Tale, série da plataforma de streaming Hulu, é baseada no livro homônimo de Margaret Atwood, de 1985, e apresenta a história de uma sociedade distópica. Quando os direitos das mulheres são revogados, elas perdem avanços básicos como trabalhar, ter dinheiro e a simples liberdade de ter um posicionalmente ou opinião. Isso se deve porque os Estados Unidos, basicamente, deixa de existir após a um golpe de estado, passando a se tornar a República de Gilead, com um regime totalitário e teocrático religioso.

O drama nos mostra uma realidade não tão distante, onde a situação ambiental do planeta se tornou precária e o índice de infertilidade chegou a praticamente zero a nível mundial. Um governo fundamentalista cristão se forma e torna lei que todas as Aias, mulheres férteis que um dia tiveram filhos, devam seguir apenas seu proposito natural: procriar. Elas são aprisionadas na casa de algum Comandante, geralmente um líder dessa sociedade cristã, e são estupradas uma vez por mês, durante o período fértil, em um ritual religioso chamado de “Cerimonia”, onde se ler algumas palavras da bíblia. 


Esse sistema opressor restringe até mesmo o uso do nome original das Aias. A cada nova família, elas recebem o nome do homem da casa. Offred, como é chamada June (Elizabeth Moss), recebe esse nome por ser “Of Fred”, ou “Do Fred”, já que pertence à família do Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes). A história é narrada por ela, que divide com o espectador seus pensamentos e emoções, contando como chegou até ali e como lida com tudo. A atuação de Elizabeth é um dos grandes espetáculos desse show. Enquanto com o olhar ela diz “sim”, percebemos que por dentro está rolando uma resistência, que sua postura plena de passiva esconde seu ódio e repulsa.


A fotografia da série trabalha muito com cores e simetria. Os uniformes vermelhos com um grande chapéu branco, usados pelas aias, cria uma simetria na cena, como se fossem grandes traços vermelhos vagando pelas ruas. 

A estética de toda a trama é em tons borrados, muitas vezes em um verde meio melancólico, justamente para mostrar que o ambiente não é tão feliz assim. Isso, juntamente com as roupas longas e os costumes conservadores, acaba soando como se tratasse de uma série antiga, embora se passe no presente. 

A preocupação dos criadores da série é essa: mostrar que aquela situação de opressão, em diferentes níveis de escala, acontece nos dias de hoje e sempre aconteceu. Não está muito distante de mulheres como as do Oriente-Médio, por exemplo. 



A falta de consciência do homem com as riquezas da natureza e a forma como a mulher ainda é vista e tratada perante a sociedade pode acabar nos encaminhando a viver em uma República de Gileard.

The Handmaisd’ Tale nos mostra o que acontece quando qualquer tipo de religião assume o controle e tenta impôr uma crença sobre o outro, tornando um ambiente de regime ditatorial e excludente. Mais do que isso, a série trata sobre resistência, fé e esperança, narrando a história desse grupo minoritário de mulheres que lutam para se livrar dos abusos e torturas sofridos em uma sociedade opressora. A cada episódio, o espectador se vê ansioso e esperançoso para que, não somente June, mas todas as Aias, consigam, de alguma forma, voltarem para suas famílias e a vida que tinham antes.

A busca pela própria identidade. Essa é o fio precursor que permeia a narrativa de “O Date Perfeito”, lançado pela Netflix no dia 12 de abril. Estrelando Noah Centineo (dos também sucessos Para Todos Os Garotos Que Já Amei e Sierra Burgers É Uma Loser), o filme conta a história de Brooks, que está terminando o Ensino Médio e busca um rumo para a própria vida.

A história começa quando Brooks se propõe a ser o par de Celia, até então uma estranha para ele, no baile do colégio dela. Conhecendo a garota no próprio dia, os dois acabam virando amigos e Celia se percebe em certo momento apaixonada por ele. O problema acontece porque Brooks na verdade gosta de Shelby, a típica garota popular do colégio. Para ficar com ela, Brooks acaba fingindo ser outra pessoa, uma que tem dinheiro e uma vida como a de Shelby.

O encontro como acompanhante de Celia dá para Brooks a ideia criar um aplicativo onde possa fazer isso sempre. Candidatando-se para um vaga na Universidade, Brooks vê na ideia a oportunidade de ficar mais perto do sonho universitário. Em parceria com o amigo Murph, ele lança o aplicativo de encontros onde se transforma no perfil de garoto que for solicitado, seja caubói, jogador de tênis ou até mesmo o de namorado babaca e folgado no jantar em família (para que os pais achem o real namorado aceitável quando for apresentado).

As múltiplas facetas que Brooks interpreta no aplicativo servem de contraponto para como se sente na vida real: alguém sem identidade e sem rumo algum. Ele não sabe quem é, nem quem quer ser. O filme aborda como os adolescentes tentam se encaixar em cantos que não são deles. A busca pela identidade acaba confundindo e criando mil versões de si mesmo, o que pode ser bom quando você as usa para se descobrir. No caso de Brooks, ele usa para se esconder.


Celia, personagem de Laura Marano, funciona como o oposto a Brooks: ela é a garota decidida e deslocada que sabe muito bem quem é. Vista como excêntrica e fora do eixo pelos pais e amigos, Celia mostra como ganhamos personalidade ao não nos importamos com o que os outros pensam. Ela é o total inverso de Brooks, que para se encontrar acredita que tem que se encaixar.

Apesar da mensagem de aceitação, O Date Perfeito não é o melhor filme teen da Netflix, e possui várias fragilidades de roteiro visíveis, risórias e intragáveis, a começar pela casualidade com que os plots e personagens são inseridos e desinseridos. O plot do aplicativo é por vezes deixado de lado e se torna até mesmo esquecido grande parte do tempo, assim como o melhor amigo de Brooks, Murph. Ficou parecendo que não se soube como desenvolver ou explorar esses elementos de uma melhor forma.

O grande ponto do filme é quando Brooks, após ser rejeitado por Shelby - que descobriu a verdade sobre sua ele -, convida Celia para dançar e ela nega. “Eu não vou ser sua segunda opção”. É lindo e empoderador ver como ela não aceita ser tratada daquela forma. O momento vai por água abaixo quando ao fim do filme, Celia perdoa Brooks e os dois terminam juntos. Parece que tudo bem ter sido segunda opção só porque ele está arrependido. Por mais que seja óbvio que em uma comédia romântica o final seria esse, do cara que percebe que o verdadeiro amor sempre esteve ao seu lado, por um momento pareceu que surpreenderia e teria outro desfecho.

Apesar de não haver o mesmo cuidado e capricho que houve nas outras produções com Noah Centineo, a mensagem que fica é bonita e faz as horas de filme valerem a pena. É um filme sobre se encontrar e descobrir quem você é de verdade, mesmo que para isso seja preciso que alguém lhe dê um peteleco e avise que sim, você está fazendo isso errado.

Refutando clichês e padrões impostos pela indústria cinematográfica, Megarromântico, lançado no dia 28 de fevereiro pela Netflix, utiliza da metalinguagem para tecer críticas a si mesmo. Aproveitando dos recursos tradicionais das comédias românticas, a narrativa propõe caminhos diferentes e surpreende.

Natalie (Rebel Wilson) é arquiteta e trabalha em uma empresa onde todos a ignoram e algumas vezes - pelo simples fato de ser mulher - até a confundem como secretária. Em uma conversa que mais parece um monólogo sobre o assunto, logo no início ela já expõe clichês e estereótipos de comédias românticas. Bastante crítica quanto ao amor, ela verbaliza tudo o que acha do gênero: um amontoado de estereótipos e preconceitos.

A mulher que não é feliz na carreira e que precisa de um homem para finalmente se sentir completa; o amigo gay colocado como piada; o galã que magicamente se interessa pela mocinha após esbarrar com ela na rua; e o fato de todos sempre acordarem maquiados. Tudo isso é duramente criticado pela arquiteta.

Após Natalie bater a cabeça em um carro, ela desperta em uma realidade que nunca imaginou: em uma comédia romântica. Acordando com o cabelo perfeitamente penteado em uma casa com móveis saídos direto do Pinterest, ela está vestida como a chefe de um grande escritório e agora tem que lidar com música pop tocando ao fundo e com a colega de trabalho que é sua rival - outro estereótipo sobre mulheres e uma clara referência ao filme O Diabo Veste Prada -.

Durante a narrativa Megarromântico induz o espectador a pensar que apesar de todas as críticas o final será o que já conhecemos. Nataline agora tem que descobrir como sair daquela realidade, e imagina que para isso acontecer tem que seguir o roteiro de todas as comédias românticas.


A glamourização da vida nova iorquina vendida pelos filmes também é exposta por Natalie. “Nova Iorque fede a cocô”, lembra a protagonista durante a sátira. As críticas não ficam subentendidas e são externas pela voz da protagonista. A grande questão abordada é como os filmes romantizam a ideia do “amor da sua vida” e passam um filtro do Instagram sobre a vida real. Megarromântico brinca com isso através dos cortes de cena - que também são observados pela protagonista -, com a trilhas sonora e com os clichês narrativos.

Na verdade, a nova vida de Natalie é quase como um grande compilado de stories do instagram em 1 hora e meia de filme, em que só as partes bonitas são externadas e onde o amor da sua vida esbarra com você em um acidente de carro no meio da rua.

Megarromântico consegue trazer algo novo usando a fórmula já saturada para se auto-desconstruir. É inteligente e utiliza muito bem da metalinguagem para conversar com o espectador. Um filme sobre prestar atenção ao seu redor e em você mesma. Megarromântico não refuta o amor, mas celebra o amor próprio.