[LIVROS] O Teorema Katherine | Review

By 01:02:00




“Não existe nenhum nível de fama ou genialidade que permita a alguém transcender o esquecimento”

Escolhi essa frase para começar a resenha porque ela define bastante do que a obra trata. O Teorema Katherine conta a história de Colin, um garoto prodígio que tem medo do esquecimento. Após levar um pé na bunda da 19ª Katherine que já namorou, ele decide viajar sem rumo com o melhor amigo e criar uma fórmula matemática que prevê o fracasso ou o sucesso de qualquer relacionamento. E com isso, claro, pretende que o mundo passe a conhecê-lo. Tudo muda e um universo de descobertas se abre para eles quando chegam na pequena cidade de Gutshot.

Antes de tudo, uma coisa que pude perceber é que John Green sempre faz com que os personagens dele tenham medo de serem esquecidos. Como foi com Gus (de A Culpa É Das Estrelas), e como aconteceu com Colin. Acho que na verdade, ele também compartilha desse medo, e por isso passa a característica para seus personagens. É por isso também, que escreve livros: pra ser lembrado (como, inclusive, foi sugerido dentro da própria obra).

De início nos deparamos com um Colin imaturo e muitas vezes infantil, com um desejo quase que obsessivo por reconhecimento, e que acha que o mundo deve isso a ele. Felizmente esses pontos são trabalhados ao longo do livro e se torna inegável o amadurecimento do personagem. Foi tudo muito bem construído até chegar ao ponto em que ele percebe as coisas como são e como deveriam ser. Gosto de dizer que ele percebeu na hora certa, embora já estivesse mudando a cabecinha há bem mais tempo (mesmo que sem se dar conta disso).

Além do protagonista, outra personagem bastante trabalhada é Lindsey. Lindsey é a estereotipada garota do interior dos Estados Unidos, sem muita perspectiva de futuro, a qual o ponto alto de toda sua vida está fadado a ser apenas a popularidade que possui durante o Ensino Médio. Ao decorrer das páginas nos é apresentada uma Lindsey muito mais complexa e intensa do que imaginávamos, e podemos conhecê-la profundamente. Lindsey é muitas e ao mesmo tempo nenhuma, como ela mesma explica. Às vezes as pessoas querem — ou precisam — tanto agradar aos outros, que acabam sim agradando-os, mas esquecendo de agradar a quem mais importa, que é a si mesmo. Perdemos nossa identidade nessa busca pela aceitação. Ser como os outros querem é mais ou menos como não ser pessoa alguma, porque todo mundo sempre vai te ver de uma forma diferente ou querer que você seja de uma forma diferente, e para tentar atender a isso, é preciso criar vários personagens de si mesmo. Cria-se ingenuamente várias identidades, sem dar-se conta, de que aquilo na verdade suga-lhe a única que importa verdadeiramente: a sua. Lindsey nos leva à reflexão em vários momentos, mas principalmente no capítulo em que junto do Colin conhecemos seu cantinho secreto. É um capítulo bastante profundo e carregado de sentimentos.

Após toda a construção (ou desconstrução) dos personagens, chegamos ao final, onde Colin descobre que é impossível ser lembrado para sempre. Acredito que muita gente vai se identificar com o Colin (e com a Lindsey), principalmente por estarmos nessa Era da internet em que todo mundo quer ter milhares de likes ou os seus 15 minutos de fama, passando muitas vezes a viver em função disso. John Green consegue desvendar muito bem os jovens desta época, e faz com que quem lê sinta verdadeiramente que aquela mensagem é unicamente e exclusivamente para si – embora saibamos, claro, que não é.

0 comentários