BBB 18 e a Síndrome de Emily

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O BBB 18 estreou dia 22 de janeiro, há exatamente uma semana, e esses 7 dias foram o suficiente para a internet ir a loucura. O fato é que apesar do pouco tempo de programa, já sabemos que muito provavelmente o Kaysar é quem vai ganhar a edição. Até lá, a intenção é manter figuras potencialmente barraqueiras e que são promissoras para um bom entretenimento.

Mesmo após 18 edições o BBB continua sendo um fenômeno e é um grande produto da cultura pop, levantando debates e torcidas fervorosas a cada temporada. O programa resiste ao tempo e se reinventa constantemente nas 18 edições existentes, e ter se adaptado ao passar dos anos é o mérito que o faz ser tão amado na internet. Contrário a isso, experiências ruins com edições e participantes passados fazem o público ficar com um pé atrás e comparar qualquer novo aspirante a BBB com jogadores já vistos antes.

Foi o que aconteceu com Ana Clara e Ana Paula. Primeiro Ana Clara, que ao ser apresentada com a família antes dos demais participantes já causou raiva no público por quebrar a expectativa de uma estreia que colocasse na casa os 16 concorrentes já anunciados. Juntando esse ódio ao fato dela ter 20 anos, a mesma da Emily (vencedora da edição passada), e de ter uma personalidade típica à idade, logo os internautas encontraram tweets comprometedores (que não deveriam ser levados tão em consideração, já que são de vários anos atrás) e passaram a chamá-la de "nova Emily" ou "Emily 2.0". O fato é que as pessoas ainda não se recuperaram dos traumas da última edição e já colocam o instinto de defesa para fora, tentando prevenir que qualquer semelhança com a pífia edição passada aconteça novamente.


Ana Clara bebeu, protagonizou o primeiro beijo da edição (sendo acusada de roubar o boy alheio), foi flagrada e brigou até mesmo com o primo e os próprios pais. Ufa! Felizmente não foi eliminada no paredão com a família e seguimos para o paredão de terça-feira que foi formado: Ana Paula (a bruxinha) contra Mara. Ana Paula foi perseguida a semana inteira pelo líder, que nem esperou Tiago Leifert terminar de falar para indicá-la, e pela casa, que constantemente fazia questão de ressaltar o quão chata é sua voz e de eliminá-la nas provas. Juntando essa perseguição ao fato de também ter pouca idade, apenas 23, logo foi o suficiente para os internautas a acusarem, equivocadamente, de coitadismo (como se ela tivesse pedido para ser perseguida) e de ser outra nova Emily.

Contrariando todo mundo que não gosta dela, Ana Paula dançou como se ninguém estivesse olhando, deu selinho nas amigas, esteve no centro das discussões da casa (inclusive de um desentendimento com Mahmoude, que usa a pauta LGBT e se intitula o novo Serginho para tentar conseguir público) e jogou calculadamente, arquitetando tudo para conseguir influenciar os demais participantes a formar o paredão que queria contra Mara (que durante essa uma semana de jogo falou mal dela pelas costas e fez de tudo para queimá-la para os outros jogadores). Fez uma jogada de mestre: conseguiu que a casa indicasse Jéssica com 7 votos, sabendo que Paula com o poder do veto tiraria a amiga da berlinda, assim fazendo o paredão duplo que queria com Mara (indicada também pelo líder) e provando que não foge da raia.


Além de uma ótima estrategista como se mostrou mexendo as peças para montar o paredão desejado, Ana Paula é também fonte de entretenimento. Irrita apenas pelo jeito e pela voz, e causa controvérsias com seus discursos, que são problematizados por outros participantes. Apesar de defender a pauta feminista, ela pode sim vir a ter um discurso em que não se pensa muito antes de falar, como fez ao insinuar que todo negro tem o pênis grande e ser problematizada por Gleici. Ao perceber que está errada, ela pede desculpas e se desconstrói, como fez ao ir conversar com Mahmoude. Mas se estiver certa, ela defende o que acredita. E tudo isso pode gerar muitas discussões interessantes lá dentro.


Visto tudo isso, o que faria alguém ser a nova Emily deveria ser o fato de não ouvir o que os outros tem a dizer ou o fato de ser mal educada e destratar as pessoas, como acusavam a Emily de fazer no BBB passado. Ser novinha não é motivo pra ficar com um pé atrás e não dar chance à pessoa. Não podemos esquecer que antes da Emily tivemos a Munik, que era maravilhosa e até mais nova, com apenas 19 anos quando ganhou o programa.

O fato é que toda uma trama já foi arquitetada nessa uma semana e desde o início da divulgação dos participantes ela já estava traçada: é movida pelas pautas dos movimentos sociais. Se de um lado tem quem verdadeiramente defenda, do outro tem quem se apodere disso para tentar angariar torcida e erroneamente achar que está convencendo. Só esquecem que a gente vê tudo aqui fora: desde o Lucas querendo trair a noiva até o discurso ensaiado para convencer quem apoie alguma bandeira.

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