Dynasty: um verdadeiro liquidificador de séries

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Dynasty é um reboot da série de mesmo nome que foi sucesso nos anos 80 e narra a vida da família Carrignton. Blake é dono de uma grande empresa e se vê no centro de uma polêmica quando Matthew, funcionário da Carrignton Atlantic, morre em um acidente que não foi tão acidente assim. Cristal, com quem Blake se casa, acaba se tornando uma das suspeitas e a partir daí ela descobre que ser um Carrington requer lidar com escândalos e segredos. Ao mesmo tempo ela também trava uma batalha com Fallon, a filha mimada de Blake. Tudo que Fallon quer é ser COO da empresa, e ao ser colocada de lado pelo pai para que Cristal assuma o cargo, Fallon declara guerra à madrasta.

Inicialmente a série tenta ser uma mistura de The OC com Revenge e principalmente Gossip Girl. Eles bateram tudo no liquidificador e saiu esse reboot. Acredito que tenha bem mais elementos dessas séries do que da trama original em si. Exemplo disso é que na versão original Mattew não morria no primeiro episódio, e pelo contrário, é personagem recorrente durante toda a primeira temporada. Muitos outros pontos também são modificados ou deixados de lado, tanto para trazer a série à realidade de 2017 como também para que fique mais ágil e acredito que sim, mais parecida com essas outras séries, o que não é ruim e também nenhuma surpresa, já que os criadores e produtores dessa versão são os mesmos de The OC e Gossip Girl, que possuem dinâmicas bem parecidas.


A semelhança com The OC se torna visível através da Cristal, que cai de paraquedas na família Carrignton, o que lembra o Ryan, que como já diria a dublagem do SBT, é um estranho no paraíso. Ela tem que se adaptar com tudo o que está acontecendo e com as novas pessoas ali, principalmente por ser mulher, o que a afasta ainda mais do mundo corporativo e do cargo de COO que ela agora desempenha, e por ser latina, o que a afasta da realidade dos Carrignton, uma família branca. Além dela, também somos apresentados ao sobrinho Sammy Jo, que passa a morar na mansão e que também lembra bastante essa trama de estar incluso num mundo ao qual você não pertence.

Na versão original Sammy Jo era uma menina, já nessa ele é um homem gay e faz par romântico com o Steven, filho de Blake. Na versão original ele não era latino e nem sua tia Cristal. Ponto positivo pela representatividade que a série traz ao incluir personagens gays e não brancos em papel de destaque. Essa representatividade aparece não só através deles, mas também através da família Colby, que nessa versão é uma família negra. Diferente de Cristal e de Sammy Jo, a família Colby não teve tanto destaque assim até agora, o que eu torço para que mude, já que eles possuem uma trama muito interessante e que pode sim ser posta em destaque.


Por mais que a série seja parecida com The OC e principalmente com Gossip Girl em diversos aspectos, como no fato de possuir vários cliffhangers e escândalos acontecendo o tempo inteiro, ou de ter um grupo (que no caso é a família Carrignton) no centro da mídia e das atenções, a forma como é executada ainda é muito vaga e precisa de mais para poder crescer e ter vida própria. A mansão é vazia. A empresa é vazia. Parece que não existem pessoas ali além daqueles poucos personagens principais. Seria legal encher e dar vida à mansão e à empresa. Uma solução como incluir mais personagens (principalmente pertencentes à família Carrignton, como a ex-esposa de Blake que já foi citada, ou algum irmão, ou até mesmo algum filho desaparecido como na versão original) e mais foco em tramas e personagens secundários. A família Colby é ainda pouco explorada, e seria legal ver mais deles.

Os personagens são carismáticos, o desempenho deles não decepciona e isso não é problema, muito menos o fato de ser semelhante às séries citadas. Se Dynasty fosse só só parecida com essas séries, eu tenho certeza que seria um grande sucesso. O que não agrada é a falta de um universo mais amplo e a falta de profundidade com que a série ainda é explorada. Mudar isso ajudaria bastante, e convenhamos... mudar aquela abertura também.

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