Grace and Frankie - 3ª Temporada | Review

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A 4ª temporada de Grace and Frankie estreia dia 19 na Netflix e vem cheia de novidade, incluindo Lisa Kudrow, eterna Phoebe de Friends, no elenco. Nada mais justo do que o site recapitular tudo o que aconteceu na última temporada e teorizar sobre o que nos aguarda. Concordem ou não, o fato é que a 3ª temporada foi a melhor até aqui. Ela marcou o crescimento dos personagens de diversas maneiras.

Cada personagem, incluindo os filhos da Grace e da Frankie, possuem histórias particulares e que foram exploradas mais do que em outras temporadas: Coyote e o problema com o alcoolismo, Brianna e a autossuficiência, Mallory e os problemas com o casamento e a vida de mãe. Isso tudo foi essencial para criar um vínculo maior com o restante da história, principalmente a Mallory, que desde o início da série sempre pareceu afastada e desconexa dos demais personagens. O aprofundamento dado para os seus dramas com filhos e com o marido foi essencial para humanizar a personagem e incluí-la verdadeiramente na vida dos outros personagens.


Diferente da Mallory, de todos os filhos, a Brianna sempre foi a que esteve mais presente na vida de Grace, Frankie, Robert e Sol. Brianna é obviamente a que mais brilha ali dos quatro filhos, e dessa vez não foi diferente, mesmo dividindo o brilho com a irmã. A independência e autossuficiência dela é algo que inspira e que funciona muito bem na série. Ela se basta e é feliz estando apenas consigo e o emprego, e é o que se deve boa parte de todo esse brilho dela.

Além dos problemas dos filhos, a série aprofundou também as questões dos pais. É incrível a forma como sempre conseguem ir mais a fundo em um dos plots precursores da série: a traição de Robert e Sol e o fato de terem se escondido por tantos anos. O passado e a aceitação da homossexualidade é um processo constante para eles, que estão frequentemente descobrindo o que implica socialmente ser um casal gay e que dia após dia estão aprendendo qual tipo de casal querem ser. Dessa vez Robert decidiu contar para a mãe, e mesmo ela não tendo aceitado muito bem e morrendo pouco tempo depois de dizer algumas coisas não tão agradáveis, aquilo foi necessário para que ele ficasse em paz consigo.


Toda essa atenção para as "tramas base" dos personagens nos faz lembrar sobre o que a série é e o que a move, e faz com que ela não desvie do que propôs desde o começo. O que mais agrega numa série é quando os plots dados aos personagens seguem com a história que foi proposta a eles desde o início. E isso não significa ser repetitivo ou não andar com o enredo, mas desenvolver o personagem dentro das características psicológicas dele e tendo coerência com o que foi apresentado. É o que a temporada fez, principalmente com o Coyote, que até conheceu uma garota no grupo de Alcoólicos Anônimos, o que lembra o público de uma parte importante que compõe o personagem. Ou como foi feito com Brianna, que até com um garoto de programa se relacionou, o que foi aproveitado para trazer mais uma vez a questão da sua autossuficiência dentro disso. Ou como foi feito principalmente com a Mallory, que finalmente teve suas vulnerabilidades exploradas e relações aprofundadas, o que a engrandeceu de uma forma incrível e a tornou mais presente na série. E também Bud, que agora tem uma namorada e gerencia a empresa do pai. De todos ele é o que tem a vida mais estável em diversos aspectos, tanto profissional como pessoal.

Já Grace e Frankie, diferente de Bud, possuem uma vida nada estável, tanto afetuosamente como profissionalmente. E não tem nada de errado nisso, mesmo aos 70 anos, crescer continua sendo um processo contínuo. Nessa temporada elas lutaram para emplacar o negócio de vibradores para terceira idade, e é muito legal ver que mesmo com 70 anos elas ainda possuem objetivos e veem um horizonte. Fica bem claro: a idade não as para, e nem deveria. Isso é o que move a série desde o início, e elas terem a perspectiva de um negócio só reforça essa premissa e a fome de vida delas. Isso inspira quem assiste também. Mesmo quem não é mais velho acaba se sentindo inspirado, porque o sentimento de desesperança por muitas vezes é algo bem comum a todos.


Em meio a toda a loucura das suas vidas conturbadas, Grace e Frankie ainda têm que achar tempo para promover a tal ideia do vibrador. Uma das melhores situações envolvendo isso é quando elas vão apresentar o produto para um grupo de senhoras e só depois elas descobrem que na verdade são um grupo de religiosas. No fim todas acabam aceitando a ideia e isso é bem bacana. A série mais uma vez não glamouriza ou cria uma ilusão do que é a velhice, pelo contrário, ela nos lembra das dores físicas, da dor na coluna e que sim, tomaremos alguns remédio quando chegarmos lá, o que não quer dizer que a série trate Grace e Frankie como inválidas ou que tudo isso as impeça de fazer qualquer coisa.

Parece que a cada temporada que passa Grace e Frankie rejuvenescem mais dez anos. Elas não possuem limites e cada vez mais vivem experiências ainda mais intensas, seja fazendo um strip em uma boate como foi na primeira temporada, fazendo a própria exposição de quadros como fez Frankie, ou lançando uma empresa aos 70 anos.

Se antes Grace e Frankie já eram incríveis em cena uma com a outra, agora elas tiveram definitivamente a melhor química até aqui. A temporada conseguiu aprofundar ainda mais a amizade das duas, seja através da empreitada dos vibradores ou levantando questões importantes, como o porte de armas. A forma como uma cede à outra apenas para continuar tendo o que elas têm ali juntas é lindo, e é o que a série mostra quando em vários momentos elas cedem para continuar levando a empresa de vibradores a frente ou quando Grace desiste de ter uma arma em casa. E isso é sobre o que a amizade deveria ser, não é?


Outro ponto importante foi que Brianna mais uma vez teve sua relação com Frankie aprofundada, e até emprestou dinheiro para ela levar o projeto dos vibradores a frente, mesmo que pedindo para que sua mãe não soubesse. É claro que isso não deu certo e Grace acabou descobrindo. É lindo ver uma mulher tão forte como Brianna na série, que dá suporte e tem sempre tudo sob controle, seja emocional, profissional ou financeiro.

Espero ver mais uma vez essa relação Brianna e Frankie na nova temporada, e espero também ver como Robert e Sol vão conduzir a relação deles de uma forma mais "aberta", como mostrou no trailer. A 4ª temporada já tá bem aí e torço para que a Mallory se encontre como além de mãe, e que aprofundem a relação dela com o Coyote, que até agora só ficou subentendida. Torço também para que a personagem da Lisa Kudrow seja importante e que continuem aprofundando as histórias pessoais de cada um, principalmente o Coyote com o AA. Não sabemos se isso tudo ou pelo menos uma dessas coisas vai acontecer, mas algo é certo: Grace e Frankie vão continuar ficando cada vez mais jovens.

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