Essa não é uma série sobre amor... ou não só sobre ele

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Lançada primeiramente no Reino Unido dia 27 de Outubro de 2017, The End Of The F***ing World ficou bastante famosa após entrar para o catálogo da Netflix no dia 5 de janeiro desse ano. A série conta a história de dois adolescentes: James, que acredita ser um psicopata, e Alyssa, uma jovem problemática e rebelde. Após decidirem fugir juntos até a casa do pai de Alyssa, eles acabam vivendo uma grande aventura durante o caminho, e James começa a questionar seus sentimentos, o que o faz repensar se realmente é um psicopata.

A série inteira funciona mais ou menos como uma roadtrip: dois jovens em viagem vivendo aventuras enquanto ainda estão na estrada. Muita coisa acontece até chegarem no destino final, e a viagem faz com que eles descubram mais de si mesmos, inclusive sentimentos que acreditavam não existir antes.

Todo o conjunto de acontecimentos durante a aventura é o que permite Alyssa e James, que até então mal se conheciam, se aproximarem e despertarem esse sentimento um pelo outro: eles batem o carro numa árvore, mudam totalmente o visual, roubam um posto de gasolina, invadem uma casa e matam o dono dela. Até aí eles não tinham nenhuma perspectiva a não ser chegar até a casa do pai de Alyssa. A partir dali, os dois jovens desventurados encontram uma motivação: se livrar do crime e eventualmente cometer mais crimes, mostrando um certo gosto pelo perigo.


É quando surgem as detetives Eunice e Teri, que passam a tentar localizar os dois jovens desaparecidos. A relação das duas tem vida própria e também um enredo além do plot do assassinato, o que faz com que sejam bem desenvolvidas e um dos pontos altos da série. Elas funcionam basicamente como o clichê do "policial bom e policial mau". A forma como Eunice enxerga as motivações de James e Alyssa é como o público também enxerga, e ela assume como um porta voz nosso ali, o que acaba gerando tanta empatia.

Os crimes cometidos pelo casal disfuncional de início causam uma aversão por serem tratados com tanta banalidade, mas com o passar dos episódios você acaba criando empatia pelos personagens, o que faz com que incrivelmente os crimes acabem sendo ignorados e não se tornem um empecilho para gostarmos e torcermos por eles. É um mérito da ficção: conseguir retirar a moral por um momento para nos fazer simpatizar com os heróis (ou anti-heróis). O certo e o errado é ignorado não só pelos protagonistas como também por quem assiste. O fato de cometerem crimes ou de terem matado alguém parece não importar tanto, e acabamos por torcer para que cheguem ao seu destino final e inclusive para que consigam escapar das duas detetives.


The End Of The F***ing World tem aquele tipo de humor meio macabro que só as séries britânicas conseguem ter. É boa para quem gosta desse tipo de humor mais dark, e também para sair um pouco do eixo americano. São só 8 episódios de mais ou menos 20 minutos, o que não torna a série cansativa e permite você assistir tudo em pouco mais de duas horas. O formato escolhido para contar a história se assemelha muito ao de um filme, e essa duração da série ajuda ainda mais a dar a sensação de que os 8 episódios são pedaços de um longa obra cinematográfica.


A série, no fim das contas, é sobre dois adolescentes querendo se encontrar, e oportunamente, nessa busca pelo eu de cada um, eles têm um ao outro. A série explora os dramas pessoais de cada, e fica bem claro que o romance tem sua função ali: com James serve para que se perceba como não sendo um psicopata, e para Alyssa serve para que ela tenha alguém que realmente se importe com ela, já que nem o pai ou a mãe estão verdadeiramente preocupados. James e Alyssa funcionam a maior parte da série mais como dois melhores amigos do que como um casal em si. O que nos lembra que The End Of The Fucking World não é sobre amor... ou não só sobre ele.

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