Marissa Cooper e o compulsivo gosto pela autodestruição

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Garotas problemáticas sempre foram um plot comum em séries adolescentes. Meninas com vidas desfuncionais são idealizadas e muitas vezes até mesmo glamourizadas na indústria. Mas, ao contrário do que acontece em outros produtos, em The O.C o público é apresentado aos altos e baixos da complicada Marissa Cooper de forma crua, e termina com um final que leva o espectador a refletir até onde uma vida tão autodestrutiva pode levar.

A trajetória de Marissa é marcada pelo gosto pela autodestruição. Ao longo das 3 temporadas, Marissa foge de casa, se envolve com um traficante, tem problemas com alcoolismo e até mesmo uma overdose. Sempre que está tudo dando certo, Marissa se autossabota. Ela só sente que está indo bem quando vai mal. Por vir de uma família disfuncional, Marissa nunca aceitou que as coisas poderiam sim ficar bem para ela. E sempre que isso acontecia, ela arranjava uma forma de pôr tudo a perder.

Na primeira temporada, Marissa é apresentada com problemas de alcoolismo e em um dos primeiros episódios já tendo uma overdose em Tijuana, durante uma viagem com os amigos. Além disso, os problemas com a mãe já se mostram presentes. Logo percebemos que Marissa não é apenas a garota popular e perfeita. Ela tem problemas reais e que precisam ser tratados.


O problema com o alcoolismo se estende por todas as temporadas. Para além dele, durante a primeira temporada, Marissa também se envolve com Oliver — um stalker perigoso — e tem pela primeira vez contato com um revólver, quando o jovem ameaça se matar. Mais a frente na série, Marissa viria a ter outro contato ainda mais perigoso com uma arma.

Além de Oliver e o alcoolismo, sua mãe, com quem tem diversos problemas, acaba ficando com o ex-namorado dela. A relação, que já não é boa, se vê abalada mais uma vez.

Marissa serviu de exemplo sobre o que não ser e ao mesmo tempo inspiração para superar os problemas. Quando afundada em situações difíceis, Marissa sempre conseguia superá-las — mesmo que isso significasse se envolver em outra ainda pior mais a frente —. Marissa era o significado de resiliência.

Na segunda temporada, Marissa foge de casa, se descobre bissexual e vai morar com a namorada. Marissa pode ser definida pela intensidade. Em uma das diversas tentativas de encontrar amor e ser correspondida, Marissa viu em Alex a parceria ideal.

A relação com a bargirl, porém, não dura muito quando Marissa, privilegiada durante uma vida inteira, se depara com um novo mundo ao dividir um pequeno e bagunçado apartamento com a companheira. A vida corrida de Alex para que possa sobreviver mostra à Marissa como ela não está preparada para amadurecer tão rápido.


Ao fim da temporada, Marissa atira em Trey, irmão de Ryan, durante uma discussão, e o ato tem consequências severas, que são exploradas psicologicamente na personagem durante a temporada seguinte.

Na terceira temporada, durante o último ano de colégio, Marissa entra em uma fase ainda mais pesada. Não bastasse o drama envolvendo o tiro de revólver no irmão de Ryan, os problemas com alcoolismo pioram e ela passa a usar cocaína. A garota ainda se envolve com um traficante de drogas, é expulsa do colégio e vai para uma escola pública.

Na nova escola, Marissa tem dificuldades de adaptação, mas tenta ser uma nova pessoa a partir daquele momento. Ao perceber que não vai conseguir, acaba se afundando novamente nos próprios problemas, principalmente ao se se envolver com Volchock.


Ao mesmo tempo em que sempre se vê imersa em problemas, ela amadurece ao ter que lidar com a falência financeira da mãe, o que acaba aproximando as duas. Em meio a erros e acertos, tudo que Marissa quer é acertar. Marissa, em um dos episódios finais da terceira temporada, tem uma conversa honesta com Ryan sobre como deseja ter uma vida normal, em paz.

Quando finalmente consegue ficar em paz consigo mesma e se ver longe dos problemas, Marissa acaba morrendo durante um acidente causado por Volchock, fechando um ciclo de 3 temporadas intensas. Por pior que possa ter sido, o final mostrou até onde uma vida tão inconsequente como a dela pode levar as pessoas.

O final não romantizou as atitudes de Marissa e mostrou o que provavelmente aconteceria na vida real com pessoas como ela. Não que ela fosse culpada da própria morte, mas em um nível extremado, a série deixou claro que algumas vezes um tipo de vida tão disfuncional como aquele pode não acabar muito bem.

Marissa sempre foi intensa e no fundo só queria ser amada. Com Luke, Oliver, Alex, Volchock... e principalmente com Ryan. Ela só queria ser correspondida na intensidade que merecia. Talvez ela não cometesse tantas besteiras, se, no fundo, acreditasse no amor que sentiam por ela.

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