Megarromântico e a sátira aos enlatados de Hollywood

By 21:00:00


Refutando clichês e padrões impostos pela indústria cinematográfica, Megarromântico, lançado no dia 28 de fevereiro pela Netflix, utiliza da metalinguagem para tecer críticas a si mesmo. Aproveitando dos recursos tradicionais das comédias românticas, a narrativa propõe caminhos diferentes e surpreende.

Natalie (Rebel Wilson) é arquiteta e trabalha em uma empresa onde todos a ignoram e algumas vezes - pelo simples fato de ser mulher - até a confundem como secretária. Em uma conversa que mais parece um monólogo sobre o assunto, logo no início ela já expõe clichês e estereótipos de comédias românticas. Bastante crítica quanto ao amor, ela verbaliza tudo o que acha do gênero: um amontoado de estereótipos e preconceitos.

A mulher que não é feliz na carreira e que precisa de um homem para finalmente se sentir completa; o amigo gay colocado como piada; o galã que magicamente se interessa pela mocinha após esbarrar com ela na rua; e o fato de todos sempre acordarem maquiados. Tudo isso é duramente criticado pela arquiteta.

Após Natalie bater a cabeça em um carro, ela desperta em uma realidade que nunca imaginou: em uma comédia romântica. Acordando com o cabelo perfeitamente penteado em uma casa com móveis saídos direto do Pinterest, ela está vestida como a chefe de um grande escritório e agora tem que lidar com música pop tocando ao fundo e com a colega de trabalho que é sua rival - outro estereótipo sobre mulheres e uma clara referência ao filme O Diabo Veste Prada -.

Durante a narrativa Megarromântico induz o espectador a pensar que apesar de todas as críticas o final será o que já conhecemos. Nataline agora tem que descobrir como sair daquela realidade, e imagina que para isso acontecer tem que seguir o roteiro de todas as comédias românticas.


A glamourização da vida nova iorquina vendida pelos filmes também é exposta por Natalie. “Nova Iorque fede a cocô”, lembra a protagonista durante a sátira. As críticas não ficam subentendidas e são externas pela voz da protagonista. A grande questão abordada é como os filmes romantizam a ideia do “amor da sua vida” e passam um filtro do Instagram sobre a vida real. Megarromântico brinca com isso através dos cortes de cena - que também são observados pela protagonista -, com a trilhas sonora e com os clichês narrativos.

Na verdade, a nova vida de Natalie é quase como um grande compilado de stories do instagram em 1 hora e meia de filme, em que só as partes bonitas são externadas e onde o amor da sua vida esbarra com você em um acidente de carro no meio da rua.

Megarromântico consegue trazer algo novo usando a fórmula já saturada para se auto-desconstruir. É inteligente e utiliza muito bem da metalinguagem para conversar com o espectador. Um filme sobre prestar atenção ao seu redor e em você mesma. Megarromântico não refuta o amor, mas celebra o amor próprio.

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