Um date não tão perfeito assim

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A busca pela própria identidade. Essa é o fio precursor que permeia a narrativa de “O Date Perfeito”, lançado pela Netflix no dia 12 de abril. Estrelando Noah Centineo (dos também sucessos Para Todos Os Garotos Que Já Amei e Sierra Burgers É Uma Loser), o filme conta a história de Brooks, que está terminando o Ensino Médio e busca um rumo para a própria vida.

A história começa quando Brooks se propõe a ser o par de Celia, até então uma estranha para ele, no baile do colégio dela. Conhecendo a garota no próprio dia, os dois acabam virando amigos e Celia se percebe em certo momento apaixonada por ele. O problema acontece porque Brooks na verdade gosta de Shelby, a típica garota popular do colégio. Para ficar com ela, Brooks acaba fingindo ser outra pessoa, uma que tem dinheiro e uma vida como a de Shelby.

O encontro como acompanhante de Celia dá para Brooks a ideia criar um aplicativo onde possa fazer isso sempre. Candidatando-se para um vaga na Universidade, Brooks vê na ideia a oportunidade de ficar mais perto do sonho universitário. Em parceria com o amigo Murph, ele lança o aplicativo de encontros onde se transforma no perfil de garoto que for solicitado, seja caubói, jogador de tênis ou até mesmo o de namorado babaca e folgado no jantar em família (para que os pais achem o real namorado aceitável quando for apresentado).

As múltiplas facetas que Brooks interpreta no aplicativo servem de contraponto para como se sente na vida real: alguém sem identidade e sem rumo algum. Ele não sabe quem é, nem quem quer ser. O filme aborda como os adolescentes tentam se encaixar em cantos que não são deles. A busca pela identidade acaba confundindo e criando mil versões de si mesmo, o que pode ser bom quando você as usa para se descobrir. No caso de Brooks, ele usa para se esconder.


Celia, personagem de Laura Marano, funciona como o oposto a Brooks: ela é a garota decidida e deslocada que sabe muito bem quem é. Vista como excêntrica e fora do eixo pelos pais e amigos, Celia mostra como ganhamos personalidade ao não nos importamos com o que os outros pensam. Ela é o total inverso de Brooks, que para se encontrar acredita que tem que se encaixar.

Apesar da mensagem de aceitação, O Date Perfeito não é o melhor filme teen da Netflix, e possui várias fragilidades de roteiro visíveis, risórias e intragáveis, a começar pela casualidade com que os plots e personagens são inseridos e desinseridos. O plot do aplicativo é por vezes deixado de lado e se torna até mesmo esquecido grande parte do tempo, assim como o melhor amigo de Brooks, Murph. Ficou parecendo que não se soube como desenvolver ou explorar esses elementos de uma melhor forma.

O grande ponto do filme é quando Brooks, após ser rejeitado por Shelby - que descobriu a verdade sobre sua ele -, convida Celia para dançar e ela nega. “Eu não vou ser sua segunda opção”. É lindo e empoderador ver como ela não aceita ser tratada daquela forma. O momento vai por água abaixo quando ao fim do filme, Celia perdoa Brooks e os dois terminam juntos. Parece que tudo bem ter sido segunda opção só porque ele está arrependido. Por mais que seja óbvio que em uma comédia romântica o final seria esse, do cara que percebe que o verdadeiro amor sempre esteve ao seu lado, por um momento pareceu que surpreenderia e teria outro desfecho.

Apesar de não haver o mesmo cuidado e capricho que houve nas outras produções com Noah Centineo, a mensagem que fica é bonita e faz as horas de filme valerem a pena. É um filme sobre se encontrar e descobrir quem você é de verdade, mesmo que para isso seja preciso que alguém lhe dê um peteleco e avise que sim, você está fazendo isso errado.

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